Historic Endurance apresenta a maior grelha da 10ª edição do Estoril Classics

O Iberian Historic Endurance regressa ao Autódromo do Estoril, entre 18 e 20 de setembro, reforçando a vocação internacional do magnífico programa da 10ª edição do Estoril Classics. Com a maior grelha de partida do fim de semana, a competição traz consigo a paixão e o entusiasmo genuinamente ibéricos pelo automobilismo.

A corrida que encerra a grande festa do Estoril Classics conta, pelo quarto ano consecutivo, com o patrocínio da Liqui Moly, uma ligação que começou no Estoril Classics de 2023, foi renovada em 2024 e se manteve em 2025, quando todos os carros de GT e protótipos até 1976 da prestigiada competição de clássicos do sul da Europa, voltaram a ostentar a imagem da marca alemã.

Com 49 carros de 14 marcas diferentes e 75 pilotos de 11 nacionalidades, o Historic Endurance volta a afirmar a diversidade como uma das suas principais imagens de marca. A grelha de 2026, que estará novamente no número máximo permitido pela pista, reúne máquinas de cinco categorias - GDS, H-1971, H-1976, H-1965 e GTP & SC - colocando frente a frente desde o Ford GT40, um carro que nos remete à lenda de Le Mans, ao Datsun 1200, um dos modelos com maior história do automobilismo nacional. O Estoril Classics volta assim a transformar o circuito português num dos grandes pontos de encontro do automobilismo histórico europeu.

Novidades no paddock

Como prova de referência, o Estoril Classics atrai sempre novos carros à grelha de partida, ou faz regressar outros, como é o caso do Ford GT40 de Alex Collins, piloto inglês que ainda dá os primeiros passos na competição e se estreou no Historic Endurance na época passada. O GT40 é uma das máquinas de referência da categoria GTP & SC e, historicamente, o Estoril tem sido palco de duelos particularmente intensos envolvendo estes carros, como foi o caso de 2024, quando Christian Oldendorff e Paulo Lima, ambos ao volante de carros da marca da oval azul, protagonizaram uma das lutas mais memoráveis da história do Historic Endurance nesta prova.

Ainda na categoria GTP & SC, Filipe Nogueira e Carlos Cruz estão inscritos num Lotus 23B vindo do Reino Unido, um carro que nunca competiu no Historic Endurance. A equipa Best Lap Garage fará ainda um último shakedown à máquina inglesa, já no Estoril; caso esta não revele todo o seu potencial, o cockpit do fiável Ford Escort RS1600 aguarda esta dupla.

Praticamente dez anos depois, o neerlandês Rob Bergmans regressa este fim de semana à grelha do Historic Endurance com o mesmo Iso Rivolta 300 IR que já cá competiu. Trata-se de um muito raro carro italiano, com pouco historial na sua época, mas com muitos quilómetros percorridos nas pistas europeias em provas de clássicos.

De assinalar estão ainda os regressos do Elva MK7, um pequeno protótipo de construção inglesa nas mãos de Carlos de Miguel, piloto espanhol com muitas participações na competição organizada pela Race Ready, incluindo vitórias com este mesmo carro, equipado com um motor BMW de 2 litros, e do Ferrari 308 GT4 de César Freitas, um modelo inspirado nos exemplares que a North American Racing Team (N.A.R.T.) usou nas 24 Horas de Le Mans de 1974 e 1975.

Outro ponto de interesse é a estreia, não de um, mas de dois Datsun 240Z. Filipe Martins e João Diogo Lopes vão finalmente estrear em corrida o seu espectacular carro japonês, que tem pedigree nacional: competiu em Portugal nas mãos de Carlos Peres/José Montes em provas de ralis, antes de ter sido vendido para a Madeira, tendo também historial em competições de velocidade. Já Pedro Ramos e Filipe Carvalho, primeiros na “Lista de Reservas”, deverão igualmente debutar com uma máquina acabada de chegar da Dinamarca, que nunca competiu em Portugal.

Vamos falar de história

Dada a natureza do evento, a grelha reúne alguns nomes que escreveram a história do automobilismo nacional nas últimas décadas. Manuel Ferrão traz consigo o Lotus Elan S3, um carro que pertenceu ao histórico Team Palma: foi guiado em Vila Real por Ernesto Neves, mas também passou pelas mãos de Mário Araújo Cabral, Manuel Atsoc e Vasco Pinto Basto, entre outros.

A Aurora Motorsport, que inscreve dois Porsche, é o braço desportivo da quase lendária Garagem Aurora, fundada em 1946 por Manuel António Alves, na Foz do Douro, e que ganhou reputação nas pistas com Eduardo Santos aos comandos, o saudoso «Mestre Eduardo». Hoje, mantendo-se como referência na preparação de Porsches e com o filho Eduardo Santos ao leme, continua a destacar-se nas pistas nacionais.

Como não podia deixar de ser, a grelha conta também com vários campeões nacionais na sua época. João Pina Cardoso foi campeão nacional de velocidade (Categoria 2) há precisamente vinte anos, ao passo que Alcides Petiz, que vai dividir um Alfa Romeo GT Am com Jorge Santos, foi campeão nacional de velocidade (Grupo N2) em 1997 e, em 1992, conquistara o competitivo Troféu BMW. Já Rui Bevilacqua, que na sua longa carreira somou inúmeros sucessos, sobretudo em provas de clássicos, foi campeão nacional de ralis em 1979, então como navegador de José Pedro Borges.

Aquele sentimento de vitória

Embora não seja um campeonato, e não exista pódio para a vitória absoluta, a verdade é que todos querem ser os primeiros a receber a bandeira de xadrez. A presença de muito público, que não perde a oportunidade de assistir a um dos maiores eventos de clássicos em Portugal e de numerosos convidados torna esta corrida única de 50 minutos, com paragem nas boxes, ainda mais especial.

 

Vencedor da edição do ano passado, o jovem britânico Tom Canning regressa para tripular o Ginetta G10 da Feathers Motorsport. Para os mais distraídos, recorde-se que este é o mesmo carro que venceu uma das duas corridas do programa deste evento em 2018, então nas mãos de James Guess e James Hilliard.

Entre os candidatos à vitória absoluta está, naturalmente, Paulo Lima, que partilhará o Ford GT40 da RP Motorsport, na categoria GTP & SC, com o experiente espanhol Jordi Puig. A dupla chega ao Estoril com argumentos fortes: Lima venceu a Classic Cup by Cuervo y Sobrinos no Estoril em julho de 2026 ao volante do mesmo GT40, depois de ter dominado as duas provas de Jarama com este modelo, e já tinha triunfado nesta corrida em 2024.

Também merece atenção o Shelby Cobra Daytona de Olivier Muytjens, sério candidato ao triunfo nos H-1965. Muytjens é um dos pilotos mais experientes desta grelha: foi campeão belga de Belcar Silhouette em 2003 e 2004 e de Turismo em 2005, e acaba de vencer, juntamente com Brice Pineau, os 400 km de Paul Ricard em 2026, precisamente com esta máquina preparada pela equipa belga HY Racing.

A armada Porsche da categoria H-1976 é particularmente forte. Pedro Bastos Rezende, no Porsche 911 3.0 RS preparado pela Aurora Motorsport, é uma referência histórica da categoria e tem um vasto currículo nas pistas ibéricas: recentemente, e com este mesmo carro, venceu os 250 km do Estoril em 2023 e 2024. Com máquinas idênticas e provas dadas estarão Carlos Brizido e João Pina Cardoso, no 911 3.0 RS da Dr. Bayard/MRauto, e Bruno Duarte e Filipe Silva Jesus, no 911 3.0 RS da Garagem João Gomes/LCSS. Há ainda mais dois exemplares: um para Gerardo Garcia e José Antonio Zorrilla, e outro que o francês Brice Pineau conduzirá a solo.

A mais importante das vitórias


Se todas as cinco categorias irão atribuir um vencedor, o maior vencedor do fim de semana será aquele que levará para casa um relógio exclusivo da Cuervo y Sobrinos, destinado ao melhor classificado no Index de Performance. Ao contrário da classificação absoluta, esta não procura simplesmente o carro mais rápido: a avaliação considera factores como idade, cilindrada e tipo de carroçaria, permitindo que máquinas mais modestas superem carros muito mais potentes. O relógio da marca suíça, considerada a única e genuína detentora de um legado latino autêntico, não irá, por isso, necessariamente para o vencedor da corrida, nem de qualquer uma das cinco classes.

Numa classificação em que a classe não influencia o resultado final, mas sim na natureza das viaturas, os Porsche 356 e 911 SWB, os Alfa Romeo Giulia Super e os Datsun 1200 e os Lotus Elan têm argumentos particularmente fortes. Fabiano Vivacqua Jr, no seu elegante Porsche 356 B (H-1965), parte com algum favoritismo, pois o piloto brasileiro foi precisamente o vencedor do Index de Performance no Estoril Classics de 2025. João Neves e Francisco Gonçalves, no Datsun 1200 (GDS), e Nuno Nunes, no Porsche 911 SWB (GDS), encaixam também na perfeição na filosofia da classificação, tal como o sueco P-A Forsvall, no seu Lotus Elan (H-1965).

Como assistir

Os bilhetes para o Estoril Classics 2026 estão disponíveis no BOL e na FNAC, dando continuidade à forte procura que tem caracterizado as últimas edições. Os passes de fim-de-semana, que tradicionalmente esgotam antes do início do evento, estão já muito próximos de atingir o limite de disponibilidade. A entrada é gratuita até aos 15 anos, desde que acompanhados por um adulto, com um máximo de duas crianças ou jovens por adulto.

O estacionamento no parque de terra será gratuito para os portadores de bilhete de Paddock, embora sujeito à disponibilidade de lugares, enquanto o acesso à bancada da recta da meta permanecerá livre para todos os espectadores.